Análise | QB Sam Darnold – USC

04/05/2018
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Sam Darnold terminou a campanha de 2016 voando. Nos últimos 10 jogos daquela temporada, o segundo anista redshirt produziu 3.086 jardas, 31 touchdowns e lançou apenas 9 interceptações. As expectativas quanto ao ataque dos Trojans liderado por ele para 2017 eram altíssimas.

O QB, natural de San Clemente, comandou o décimo terceiro melhor ataque de toda nação, que teve média de 484.1 jardas por partida. Mas muitos scouts acreditam que ele tenha mostrado um certo regresso nessa temporada e que se declarar elegível para o draft desse ano foi um erro.

Porém, assistindo o vídeo de Sam Darnold em 2017, fica nítido que ele tomou a decisão correta. Ele possui todas as qualidades necessárias para se tornar um ótimo jogador na NFL, caso trabalhe o bastante para isso.

PONTOS FORTES:

Todo o jogo de Sam Darnold gira em torno de sua habilidade de criar. Um verdadeiro “playmaker”, Darnold é um QB atlético. Ele possui a capacidade de guardar a bola debaixo do braço e ganhar muitas jardas com suas pernas. Sua agilidade e capacidade de mudança de direção costuma surpreender os defensores adversários quando ele parte para um scramble.

 

Exatamente por isso que o OC Tee Martin criou um ataque que maximizava Darnold usando suas pernas. USC usou uma grande variedade de RPOs, run pass options,  a jogada do momento no futebol americano, que oferece ao QB a opção de lançar ou correr com a bola, de acordo com a leitura que ele faça, às vezes pré e outras pós o snap. Esse conceito fez com que Darnold realmente se destacasse ainda mais. Na maioria dessas jogadas, Darnold possuía as opções de entregar a bola para seu ótimo running back, Ronald Jones, segurá-la e correr com ela, ou distribuí-la para um de seus vários alvos no perímetro. A habilidade de tomar as decisões corretas, especialmente nesses RPOs, fez com que esse ataque fosse muito produtivo. Ele é muito bom em diagnosticar a cobertura usada pela defesa, atacar o defensor que terá que tomar uma decisão em relação a uma das opções citadas acima e distribuir a bola rapidamente.

 

O que geralmente passa desapercebido é a velocidade e precisão necessária nesses tipos de conceito. Algumas vezes, após o play fake com o RB, as linhas de passe estão congestionadas com defensores atacando a linha de scrimmage para defender o que eles acreditaram que seria uma corrida. Após perceberem que a jogada se tratava de um passe, eles imediatamente levantam suas mãos para fechar a linhas de passe. Porém, Darnold não costuma ter problemas com isso. Com 6’4″ de altura e pesando 220 libras, ele consegue colocar a bola em lugares que apenas seus recebedores podem dar sequência na jogada.

Na NFL, é muito provável que Darnold será conhecido por sua capacidade nos passes curtos. Apesar de seu movimento de arremesso alongado, e trabalho de pés bem indisciplinado (falaremos mais sobre isso na sequência), nada disso deve atrapalhá-lo na distância de 0-9 jardas. Ótima notícia para Darnold, porque é nessa faixa que jogos são ganhos ou perdidos na NFL. Sua mecânica não será problema ali, porque ele estará arremessando naturalmente e em ritmo, e sem se preocupar com ajustes técnicos.

De acordo com a SportsInfo Solutions (SIS), a capacidade de Darnold nos passes curtos é fenomenal. De 0-9 jardas ele teve a maior porcentagem de passes completados (75.4%), a quarta maior quantidade de jardas aéreas (1.534), o décimo segundo maior número de TDs (10), o terceiro maior número de jardas por tentativa (7.6), e a quinta melhor QB rating (107.2).

Lançando dentro ou fora das hashmarks, ele possui precisão e antecipação para bater as defesas adversárias.

Mesmo quando lançando em movimento, algumas vezes em jogadas fora do design inicial, ele mantém a mesma precisão.

Coordenadores ofensivos irão amar sua versatilidade de executar as jogadas como planejadas ou improvisar no caso de necessidade, principalmente se ele tiver quer jogar cedo na sua carreira. Esse passe contra Colorado por exemplo, foi decisivo, com um toque perfeito, colocando a bola num ótimo local para seu WR fazer a recepção.

Apesar da força do seu braço não ser do nível de Josh Allen por exemplo, Darnold mostra a capacidade de lançar passes longos com toque e precisão consistentemente. Ele não tem problemas em lançar passes considerados 50/50, confiando nos seus WRs e na sua própria capacidade de colocar a bola num lugar favorável para seus companheiros.

Ele é ótimo numa série de pequenas coisas em que um QB precisa ser bom para ter sucesso na NFL, como manipular defensores com seus olhos e antecipar lançamentos em todas as áreas do campo. Nessa jogada, a defesa está num look single high (apenas um safety no topo, responsável por oferecer ajuda aos CBs no passe longo). Ele tira o safety da jogada olhando para a esquerda, rapidamente volta para a direita e tira proveito do um contra um daquele lado.

Esse é o tipo de jogada que faz com que a grande maioria dos especialistas vejam Darnold como a provável escolha #1 nesse draft. Ele move o defensor com seus olhos novamente e antecipa a rota dig do seu WR, lançando a bola no ponto futuro, o colocando em perfeita condição de ganhar mais jardas após a recepção.

Nesta partida, o Cotton Bowl contra Ohio State, Darnold foi pressionado em 36 de suas 45 tentativas de passe. Apesar do domínio dos Buckeyes, Darnold lutou até o fim. De acordo com a SIS, ele teve o terceiro maior número de jardas sob pressão em toda nação (1.133).

Se o analisarmos na área mais importante do campo, a Red Zone, vemos que, ainda de acordo com a SIS, ele possui a segunda melhor marca de TD% dentre os principais prospectos desse draft.

Sua capacidade de tomar decisões rápidas, precisão, toque, habilidade de estender jogadas, passar em movimento e seu atleticismo de maneira geral são razões pelas quais Darnold é tão eficaz na área vermelha do campo.

https://streamable.com/30ohy

PONTOS FRACOS:

Por mais produtivo que Sam Darnold tenha sido nas suas 27 partidas por USC, ele possui algumas sérias deficiências que precisam ser mencionadas e a primeira delas são os turnovers. Ele lançou 22 INTs e sofreu outros 20 fumbles em 2 anos. Essa falta de cuidado com a bola pode levá-lo ao banco rapidamente na NFL.

“Eu acredito que algumas vezes no decorrer do ano, eu tentei fazer mais do que deveria. Isso não é legal, mas é a realidade. Eu acho que é importante que eu tenha consciência disso, porém agora preciso melhorar. Não posso forçar um passe como fiz na pick-six, aquilo realmente foi horrível.”-Sam Darnold

Apesar do ataque ter cedido uma média de 2.14 sacks por jogo e um total de 30 em 2017, ele admitiu certo descuido em algumas situações.

“Alguns dos strip sacks vão acabar acontecendo, em situações em que eu estiver arremessando e algum defensor consiga dar um tapa na bola, por detrás de mim. Porém em outras situações eu tenho que manter as duas mãos na bola, quando estiver no pocket.” -Sam Darnold

Vários de seus turnovers estão ligados às suas mecânicas. Darnold possui algumas das piores mecânicas que já vi em um quarterback. Vamos começar com seu movimento de arremesso. Normalmente QBs com a mecânica de arremesso alongada como a de Darnold acabam tendo muitos problemas na NFL. Do momento em que o arremesso começa para o momento que a bola realmente sai de sua mão, pode ser a diferença entre um passe completo numa janela pequena e uma interceptação. Defensores profissionais são muito rápidos. Se ele se atrasar para antecipar um passe, ainda que um pouco apenas, os centésimos de segundo que ele gasta a mais por causa do movimento longo de seu arremesso pode causar uma interceptação, como aconteceu contra Washington State. O safety corre em direção ao meio do campo, oferecendo Darnold uma oportunidade num 1 contra 1 na lateral. Ele lança uma out rápida, mas o CB tem tempo de fazer a leitura e interceptar o passe.

Ainda assim, a mecânica de arremesso não é o pior dos problemas para Darnold, porque ele costuma antecipar os passes e faz isso muito bem. Porém seu trabalho de pés é absolutamente horrível, com o principal problema acontecendo quando ele alcança o topo dos seus dropbacks.

Existem diversas técnicas relacionadas ao comportamento dos pés no topo do drop. Alguns QB coaches preferem um “quiet feet”, estilo Brady, saltitando levemente nas pontas dos pés. Outros preferem uma técnica chamada “foot fire”, aonde cada um dos pés fazem leves movimentos rotatórios saindo do chão.

Finalmente, vários coaches que trabalham com ataques West Coast, preferem uma técnica chamada “hitch”. O QB irá plantar os pés cada vez que ele se mover para um novo alvo na sua progressão. Porém o que Darnold faz não se encaixa em nenhuma dessas técnicas. Muitas vezes Ele fica saltando no pocket sem que nenhum dos pés esteja no chão, o que é um grande problema porque o impede de puxar o gatilho em momentos necessários e causa oportunidades desperdiçadas. No vídeo abaixo, apesar de ser um passe completo, é possível ver como sua base está longe do ideal.

 

Imagine ele saltando desse jeito aos domingos. Uma janela em uma rota crossing pode estar para se abrir, será que ele estará em posição de completar esse passe consistentemente ou desperdiçará esse tipo de oportunidade?

O guru de QBs Dub Maddox ensina seus alunos a “definir o corredor” com o seu pé de trás (pé direito para QBs destros), o que significa que ele quer que seus QBs mirem o alvo com a chapa (parte interior) do pé de trás. Isso alinha todo o movimento de arremesso.

 

Caso o pé não esteja posicionado da maneira correta, distribuindo o peso do QB de maneira equilibrada, acontece a perca de precisão e velocidade no passe, como vemos nessa jogada contra Ohio State. Os ombros de Darnold estão posicionados de maneira perpendicular à linha lateral no momento que ele se prepara para lançar. A chapa do seu pé de trás não está direcionada para o seu alvo, ele pisa com o outro pé em direção a linha lateral, provocando um passe errático. Um QB de alto nível não pode cometer esses erros contra defesas da NFL, isso irá lhe custar caro.

 

OBSERVAÇÕES FINAIS:

Não foi à toa que Sam Darnold decidiu se declarar elegível para o draft desse ano. Ele possui muitas qualidades que transferem bem para o jogo profissional, sendo a sua capacidade de executar com maestria um sistema de passes curtos e rápidos a principal delas. Sua habilidade atlética permite que ele seja usado em vários tipos de jogadas como zone reads, RPOs e play action rollouts. Ele possui a habilidade de diagnosticar coberturas pré e pós snap, fazer os passes em todos os níveis do campo com uma velocidade sólida mas principalmente excelente toque quando necessário. Darnold também sabe como proteger seus WRs, raramente os direcionando para big hits. Ele é super competitivo e irá sempre buscar as vitórias custe o que custar. Algumas vezes essa competitividade pode causar más tomadas de decisões e sacks, fumbles ou interceptações como consequência. Suas mecânicas são realmente preocupantes, mas muito treinamento, com um QB coach que o cobre muito quanto aos fundamentos todos os dias, o colocará no mínimo em condições de corrigir alguns mals hábitos para um nível mais aceitável.

Se combinado com um jogo corrido sólido, e num ataque que explore passes curtos e rápidos e utilize RPOs, ele será um QB produtivo em pouco tempo de liga.

Darnold recebeu uma nota 5.292 no nosso sistema, e será com certeza uma escolha de round 1, merecidamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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